quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Áreas curriculares não disciplinares do 3º Ciclo ocupam "demasiado" tempo

Algo como 15% do tempo lectivo do 3º ciclo tem sido ocupado por áreas curriculares não disciplinares, o que, "em muitos casos, é pura perda de tempo", indicou hoje o ministro da Educação que está a ser ouvido no Parlamento.
No 2º ciclo, as áreas não disciplinares ocupam 18% do tempo lectivo. Em comparação com outros países, Portugal "é o campeão da dispersão curricular", frisou Nuno Crato.

As áreas não curriculares vão desaparecer das escolas a partir do próximo ano lectivo na sequência da nova estrutura curricular propostas pelo Ministério. O objectivo, repetiu Crato, é o de centrar aprendizagens nos conteúdos essenciais.

O ministro, que foi chamado ao Parlamento para explicar a nova reforma, adiantou que o Ministério da Educação e Ciência já recebeu 262 propostas, das quais estão a ser analisadas 244. A proposta está em discussão pública até ao final do mês.

A disciplina de Área de projecto já desapareceu este ano lectivo. No próximo ano, deixarão também de existir o Estudo Acompanhado e a Formação Cívica.

Segundo Nuno Crato, o próximo passo será a definição de metas curriculares que "permitam destacar dos currículos os conhecimentos e capacidades essenciais que os alunos devem ter". Português e Matemática serão as primeiras disciplinas a ter estas metas, acrescentou.


10.01.2012 in Público

Comentário:
As disciplinas extra curriculares parecem estar a desaparecer do currículo dos alunos de modo a que mais horas de Português e Matemática possam ser lecionadas. Esta será uma das muitas medidas impostas pelo Governo para o sucesso escolar. Esperemos que a carga excessiva destas duas disciplinas não desmotive os alunos e não potencialize o abandono escolar, visto que as disciplinas mais atrativas para as crianças estão a ser dispensadas.

Joana Leal

http://www.publico.pt/Educação/portugal-e-o-campeao-da-dispersao-curricular-diz-ministro-da-educacao-1528441

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Alunos portugueses chumbam muito e é preciso investir no apoio

Conselho Nacional de Educação chama à atenção para o número elevado de alunos que chumbam no ensino português e sugere reforço de apoio ao estudantes.  O Conselho Nacional de Educação (CNE) alertou hoje para o elevado número de repetentes em todos os graus do sistema educativo português, defendendo que não se deve poupar no apoio aos alunos para evitar "chumbos".

"Temos um grande desvio etário. Os nossos alunos estão na escola mas não estão no ano em que deviam estar", afirmou aos jornalistas a presidente do CNE, Ana Maria Bettencourt.

Os alunos de meios sociais desfavorecidos são os que mais vão ficando para trás, com "desmotivação e o abandono escolar precoce" como consequências.
De acordo com os dados do CNE, no ano letivo de 2009/2010, 100 por cento dos jovens de 15 anos estavam na escola, mas "43% ainda permanecia no ensino básico e apenas 57% se encontra no nível adequado à sua faixa etária, o secundário".

Quando se olha para os jovens de 17 anos, 80% já chegaram ao secundário, mas 10%ainda estão no terceiro ciclo do básico. Quanto mais para a frente no grau de ensino, pior o desvio: em 2009/2010, 14% dos rapazes e 10% das raparigas a frequentar o 12º ano tinha 20 anos ou mais, quando idealmente deviam ter 17 anos.

"Não vale a pena investir [na educação] se as pessoas não aprendem"

Ana Maria Bettencourt defendeu a necessidade de "não deixar arrastar" os problemas, intervindo "ao primeiro sinal de dificuldade" e investindo no "apoio aos alunos" porque "se não se gasta agora gasta-se mais tarde e já com as pessoas fora da escola".
"Não vale a pena investir [na educação] se as pessoas não aprendem", reforçou a presidente do CNE, que nas suas recomendações apela a uma "mudança profunda na atitude das escolas e dos professores face ao insucesso".

Para o CNE, a solução passa pelo "reforço da formação em exercício dos professores e maior autonomia das escolas" para poderem "organizar as melhores soluções".

Em relação ao abandono escolar precoce, os dados do CNE indicam uma descida constante dos números: dos 43,6% em 2000, em 2009 chegou-se a 28,7% de população entre os 18 e os 24 anos que estudou no máximo até ao nono ano.

Mas os resultados de Portugal ainda estão 14 pontos acima da média europeia de taxa de abandono, que se situa nos 14,1% e que de acordo com as metas definidas pela União Europeia deve descer abaixo dos 10% até 2020.

Os maus resultados estão também relacionados com a situação social dos alunos, embora o CNE registe que Portugal está no sexto lugar entre 34 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico no que toca aos bons resultados obtidos por alunos desfavorecidos.

Mas na última década verifica-se uma tendência "preocupante": um aumento de 25% no número de alunos abrangidos pela ação social escolar. Atualmente, 42% dos alunos recebe ação social e destes, 56% estão no escalão mais elevado de apoio.


E de 68.421 crianças acompanhadas pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens em 2010, mais de 15 mil não andavam na escola. Os distritos de Setúbal, Évora, Beja, Portalegre e Faro são aqueles onde há mais desvio etário e coincidem nos resultados mais baixos nas provas de aferição e exames nacionais, assinala o CNE.

Em oposição, Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro e Coimbra são os distritos onde que há menos repetentes e onde se verificam classificações mais elevadas nos exames.

21.12.2011 in Expresso

Comentário:
Os números são assustadores e a falta de empenho e motivação dos professores e alunos actualmente também. Mas se uma solução seria investir na formação dos professores e apoiar as famílias dos alunos carenciados, diga-se que as medidas impostas pelo goveno em reduzir custos na Educação e nos Serviços Sociais não ajudam. Cada vez mais os alunos desmotivam e desinteressam-se pela escola, muito em parte pelos professores que se estão a deixar levar por  uma onda de péssimismo e irritabilidade com as reduções de salário, o aumento do número de horas e a instabilidade de posto de trabalho que transparece para os alunos e os faz esquecer do motivo pelo qual estamos nesta profissão: paixão por ensinar, para que estes alunos se tornem futuros profissionais e individuos autónomos e produtivos para o país. Posto isto, considero que um primeiro passo fundamental para o combate ao abandono escolar passa por reeorganizar as mentalidades dos professores e quanto aos apoios? Isso já não é da nossa competência, infelizmente...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Passos Coelho sugere emigração de professores

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sugere que os professores desempregados emigrem para países lusófonos, realçando as necessidades do Brasil.

Questionado sobre se aconselharia os “professores excedentários que temos” a “abandonarem a sua zona de conforto e a “procurarem emprego noutro sítio”, Passos Coelho respondeu: “Em Angola e não só. O Brasil tem também uma grande necessidade ao nível do ensino básico e secundário”, disse durante uma entrevista com o Correio da Manhã, que foi publicada hoje.


Pedro Passos Coelho deu esta resposta depois de ter referido as capacidades de Angola para absorver mão-de-obra portuguesa em sectores com “tudo o que tem a ver com tecnologias de informação e do conhecimento, e ainda em áreas muito relacionadas com a saúde, com a educação, com a área ambiental, com comunicações”.


“Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos”, disse ainda o primeiro-ministro.


“Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e portanto nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma: ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado da língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa”, explicou.


Portugal é um dos países da Europa com menores níveis de escolarização da população, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011, publicado no mês passado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).


Enquanto em Portugal a escolarização média da população com mais de 25 anos era de 7,7 anos, na Grécia e em Itália era de 10,1 anos, em Espanha de 10,4. Na Alemanha era de 12,2 e nos EUA de 12,4.


Para as crianças que entram agora na escola, esta diferença é bastante menor: o número de anos de escolaridade esperados era de 15,9, no caso de durante a vida da criança se mantiverem as taxas de escolarização actuais, o que pode estar em causa dada a dimensão da crise. Em Espanha era de 16,6 anos, na Irlanda de 18 e na Alemanha de 15,9.


18.12.2011 in Público


Comentário:

Posto isto, que dizer? Andamos a caminhar no sentido contrário ao pretendido por nós. Se ao licenciarmo-nos em Educação esperávamos contribuir para a falta de escolaridade e abandono escolar deste país, parece que o nosso Primeiro Ministro não tem esse propósito destinado para nós mas sim demover-nos para outros países e, quem sabe, trazer professores de países de língua portuguesa para Portugal com a desculpa de que os nossos professores (in)felizmente estão a emigrar.
Fazendo das palavras de Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, as minhas palavras, «penso que o senhor primeiro-ministro podia aproveitar (a sugestão) e ir ele próprio desgovernar outros países e outros povos. Não desejo no entanto que esses países e esses povos sejam os nossos irmãos de língua portuguesa».


Joana Leal


http://www.publico.pt/Sociedade/passos-coelho-sugere-aos-professores-desempregados-que-emigrem-1525528

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Blogue

Hoje criei o meu primeiro blog que será dedicado a notícias, comentadas por mim, que dizem respeito á Educação em Portugal e que espero que tenha utilidade para todos aqueles que o visitarem.


Joana Leal